LÍNGUA (GEM) – DIALETO – GÍRIA
A linguagem é um sistema de sinais de que o homem se serve para se comunicar. É um meio organizado que tem por finalidade a expressão de idéias e juízos. Sua origem deve reencontrar as origens do homem: sendo ele um animal social, é também por natureza um animal que fala. A natureza social do homem exige a linguagem. E o homem deve ter inventado antes mesmo do fogo e das outras mais primitivas invenções.
A linguagem é “la manifestacion Del espiritu tenida por más digna de admiración a lo largo de los tiempos.” O homem é um animal comunicativo. Sua linguagem mais importante é a verbal, falada ou escrita. (“verbum” = palavra. Aqui o adjetivo verbal é usado com o seu sentido etimológico. Verbal se refere a palavra).
Só em sentido análogo é que se fala em linguagem de animais e de coisas. A palavra humana não é apenas sons que ferem os ouvidos, letras que ferem os olhos, mas sinais a que se atribuem valores simbólicos que podem variar ao infinito, por convenção.
Os animais podem ser tocados pela voz, enquanto ela é ar impelido e agitado, não enquanto a voz significa, por convenção, o que se chama, propriamente, falar e entender, articular. “Uma coisa é ser tocado pelo som ou pela palavra enquanto agita o ar e, em seguida, os ouvidos e o cérebro; outra coisa é olha-la como um sinal que os homens convencionaram e relembraram; na mente, as coisas que as palavras significam”. Daí ser o homem um ser racional e o animal irracional.
Isto é o que se chama entender a linguagem e dela não há vestígio algum nos animais.
A linguagem verbal se entranhou no homem de tal modo que embora teoricamente se possa pensar sem palavras, na realidade ninguém o faz. É o instrumento necessário das idéias, não só para exprimi-las, mas ainda para recebê-las.
Existem várias teorias da origem da linguagem.
Para Max Müller o homem tem uma faculdade de expressão, um instante criado da linguagem, e nota nele.
Para Spencer a linguagem, com as outras capacidades do homem, nasceu da evolução do animal.
Já o Hovelacque faz a distinção entre “energueia” e “ergon” a faculdade é natural; o uso é que é artificial.
Há mais uma teoria e é a que defendo: o homem nasce com faculdades criadoras, todos os meios de viver em sociedade, de comunicar- se.
Paulatinamente, em elaboração lenta, vai adquirindo meios cada vez mais perfeitos. A linguagem é um instrumento, uma invenção da inteligência humana, inicialmente primária e depois complexa e perfeita.
O homem tem em si o poder criador de meios para realizar a sua natureza de “politikón zóon” (= animal social). Sem dúvida que a linguagem é um dos meios mais poderosos de convivência.
O problema da origem da linguagem não é moderno: veja Demócrito, grego, julga que a linguagem é ma criação arbitrária (Thesei), Platão, criação natural (Physei) segundo a solução de Crátilo, personagem do diálogo platônico.
Atenção:
Physei ou thesei = por natureza ou por convenção.
Há uma teoria que me parece excessivamente teológica:
Deus criou o homem e lhe infundiu a linguagem.
Teísta que sou, defendo outro caminho:
Deus criou o homem, deu- lhe os meios, os instrumentos, as faculdades para realizar- se. E o homem criou a linguagem.
Qual a origem da linguagem?
Não haverá uma resposta definitiva. O problema da origem da linguagem não é de origem lingüística, está fora do seu campo e se confunde com o problema do homem e da sociedade humana.
A língua é um patrimônio, um repertório coletivo, um depósito de sinais à disposição da comunidade.
A língua é um código de que serve o homem para elaborar mensagens, para se comunicar.
Atenção:
A palavra, como representação material, isto é, como som ou aparência gráfica, chama- se vocábulo como índice da idéia que ela encerra, chama- se termo.
A palavra, pois, apresenta dois aspectos: um externo (número de sílabas, acentuação, forma gráfica etc.), outro interno, isto é, o conteúdo, a idéia o sentido.
Se a reunião de vocábulos forma o vocabulário a reunião de termos, isto é, de palavras enquanto expressam uma idéia, forma a frase ou locução, que virá a ser a expressão do pensamento.
A Frase constitui, pois, o elemento fundamental da linguagem.
Os exemplos:
O caderno de Luis.
Os lindos olhos de Lourdinha.
A cultura dos nossos jovens.
São frases porquanto constituem reunião de termos ou idéias, sem nada afirmar ou negar.
Rigorosamente, podemos afirmar que ninguém comete erro em LÍNGUA; o que normalmente se comete são transgressões da norma culta.
PERIGO – CUIDADO:
A pessoa, seja quem for que, no momento íntimo do discurso diz:
“Ninguém deixou ele falar.”
Não comete propriamente erro, na realidade, verdade, ele apenas, transgride a norma culta.
O momento íntimo é o da liberdade da fala. Isto ocorre no recesso do lar, na fala entre amigos, parentes, namorados, etc...
São consideradas perfeitamente normais construções do tipo:
Deixe eu ver isso!
Não assisti o jogo.
Não assisti o filme nem vou assisti- lo.
Ninguém deixou ele falar.
Eu vi ela hoje.
Pode usar estas construções?
PODE!!! Lembrando que NÃO É NORMA DE LÍNGUA CULTA!
E a norma culta é:
Deixe- me ver isso!
Não assisti ao jogo.
Não assisti ao filme nem vou assistir a ele.
Ninguém o deixou falar.
Eu a vi hoje.
DIALETOS
São modificações regionais, estáveis, de uma língua.
Na definição não se inclui a idéia pejorativa de corrupção.
O português do Brasil como o de Angola é, sem nenhum desdouro para o mais intransigente nacionalista, um dialeto da língua portuguesa.
A GÍRIA
É uma linguagem fechada, usada por um grupo social restrito, com a preocupação de se distinguir dos outros.
Pode a palavra gíria ter também o sentido pejorativo da língua de mau gosto. Torna- se complicada e incompreensível. Podemos ainda dizer que a gíria constitui uma contribuição prejudicial à língua tornando- a espúria, confusa e pouco comunicativa.
A gíria é um elemento de linguagem que denota expressividade e revela grande criatividade, desde que, naturalmente, adequada à mensagem, ao meio e ao receptor.
Mesmo que seja criativa a gíria só é admitida na língua falada. Sendo que a língua escrita não a tolera. Só em casos especiais na comunicação entre amigos, familiares, namorados, sendo que isto é caracterizada pela linguagem informal.